quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Contos de la Guagua: verde metálico


Com uma sombra verde metálico nos olhos, uma senhora de uns 60 poucos anos ao passar de ônibus pela Lapa, por volta das 18h30 desta quinta-feira, falou para outra senhorinha confortavelmente sentada ao lado dela:

“Veja só esta parede, toda pichada. Que coisa mais feia”.

Neste momento ela apontava para um paredão de grafite (abaixo) que retrata a boemia da Lapa pós-ano 2010. Vulgo a ‘nova Lapa’.



Ao terminar a observação, a senhora voltou seus olhos para mim esperando uma reação de aprovação. Neste mesmo momento meus olhos foram ao encontro das pálpebras verde metálicas e, mesmo que eu não quisesse, traduziram meus pensamentos:

“Coisa mais feia é esta rasura em seu rosto.”

O 010 seguiu seu caminho...



quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Nós vamos invadir sua praia!

Rapaz no Rio Sul pergunta: este ônibus passa no Windsor Barra? Motora responde: passa!
O rapaz embarca e pergunta: quanto tempo até lá?
(Tenso! Tô 40min atrasada e o motora já reclamou do trânsito).
Motora responde: 1 hora e pouco sem trânsito.
Rapaz faz cara de desolado. Eu Tbm!
No Arcoverde sobe uma moça e também pergunta: passa no Windsor?
Penso eu: hotel da firma tá bombando!
Uns 2 pontos depois sobe outra passageira e pergunta: motora passa no Windsor Barra?
Pronto!!!! Rave no hotel da firma!! Aqui vamos nós! Transformamos o 332 no bonde do Windsor Barra!!!


terça-feira, janeiro 08, 2013

Terapia de mesa de bar

Pergunta: seria uma forma de prostituição exercer função em troca do din-din que entra na sua conta bancária todo o santo mês?

O dicionário é bem claro.

Prostituir-se é vender o corpo em troca de dinheiro, bens ou favores; Oferecer serviços sexuais com o objetivo de obter lucro.

Mas também descreve em letras minúsculas: “Colocar interesses materiais à frente de princípios ou ideias”.

E é neste ponto que entra a pergunta que abre este post.

Não posso simplesmente dizer que tenho a sorte de trabalhar com o que me dá prazer. Afinal, são 16 anos de muita ralação desde que me formei jornalista para poder hoje respirar aliviada. Mas posso assumir sem culpa que, sim: exerço a profissão que gosto, na área que gosto e fazendo o que gosto. Sei que sou caso raro no mundo dos recursos humanos e, por isso, posso me considerar uma pessoa com sorte.

Mesmo assim, não me escapam momentos em que me encontro pensativa, questionando se tudo o que faço vale a pena, se estou no caminho certo. até que ponto me mantenho de acordo com meus princípios, estas coisas típicas dos dias da TPM.

Em conversas com amigos vejo que não sou a única pessoa a enfrentar estes questionamentos. O que é ótimo! Afinal, não me sinto a única louca do planeta!

E, entre as explicações que ouço das mais variadas vozes, quase todas vão ao encontro de um único caminho: tentamos ao máximo fazer o que nos agrada, o que nos motiva a acordar cedo diariamente e seguir em frente, mas sabemos que no fundo, a grande maioria dos nossos trabalhos servem mesmo é para pagar as contas do mês.

Será mesmo? Será que é assim também para aquela moça que aparece sorridente na televisão? Para aquele empresário que fechou um negócio bacana na última semana? Até mesmo para seu chefe... É assim também para ele?

Geralmente deixo meus amigos chocados com minha opinião sobre o assunto, mesmo antes de ter degustado do segundo copo de cerveja...

Para mim, quem trabalha apenas pelo dinheiro que recebe no final do mês não deixa de exercer um tipo de prostituição... 

E haja terapia de mesa de bar!